Gravidade Tonal

Afinal de contas, o que é gravidade tonal?

Gravidade tonal nada mais é que a força de atração que uma nota tem sobre a outra e para uma atração existir, uma tônica deve existir primeiro. Russell demonstra como a música atua em três níveis de gravidade tonal, isto é, na verticalidade, na horizontalidade e tudo isso junto e misturado.

A Horizontalidade

O sistema tradicional é horizontal por natureza, a sua força de atração é a área de cadência. Faça o teste tocando a escala de C maior e veja como ela, além de soar C maior (claro), resolve em C maior.

Isso explica as funções harmônicas, pois os acordes sempre buscam a tônica. O famoso II V nada mais é que tensão e a chegada na tônica que é o relaxamento, mas isso não significa que o trítono é o responsável por esse polo de atração, tanto o II quanto o IV representam bem essa tensão.

O sistema tradicional classifica as cadências que resolvem no acorde de função tônica da seguinte forma: perfeita/imperfeita, deceptiva ou interrompida e cadência picarda. Quando a cadência é finalizada no acorde do V temos a cadência à dominante, meia cadência, cadência frígia e mais um monte de nome que só embaralha a cabeça dificultando ainda mais a nossa vida.

Agora, você já se perguntou por que não existe um nome para a cadência feita para o acorde do IV?

A Verticalidade

A escala lídia (não modo lídio), por outro lado, representa a verticalidade, a unidade entre o acorde e a escala. No Conceito do Lídio Cromático a escala maior não gera acordes por causa da tensão que a quarta gera, pois unidade significa estar em perfeita ressonância (vide série harmônica), por isso gênero modal da escala lídia e não campo harmônico como feito no sistema tradicional.

A verticalidade é uma força passiva e a sensação que temos é que ela fica flutuando o tempo todo, pois a sua força atua na direção vertical feita por esse bloco de seis quintas até a sua tônica, por isso o tradicional modo lídio tem essa sonoridade que “não resolve”, basta tocar a escala de C maior resolvendo no acorde de F maior ou terminar com a nota fá, o efeito é o mesmo.

Você deve estar se perguntando “Michael, mas F lídio não é o mesmo que C maior?”

A resposta é não e se você tocou o que eu falei acima, então está mais que provado que F Lídio não é C maior e vice-versa. E aqui temos o motivo pelo qual os compositores do passado não finalizavam as músicas no IV, pois o efeito é não conclusivo, além disso, a prática comum da época era ter o acorde do V7 sendo a tensão máxima, acontece que G7 é o modo (II) da escala lídia ele representa F Lídio começando pelo segundo grau.

Faça o teste toque F – C – G e depois toque F – C – G7. Você vai perceber que há uma sonoridade forte em cadência (sonoridade conclusiva) no G, mas no G7 é como se ele voltasse para o F (o que de fato está acontecendo).

Esse é um belo exemplo para demonstrar que G7 é F Lídio e G (tríade) é G Lídio. E também um belo exemplo de como a dissonância desintegra o acorde, pois a sétima está camuflando a sonoridade de G lídio convertendo ele para F Lídio.

Complexo? Não, acho bem simples. Experimente tocar a escala de C maior finalizando com a nota fá e joga a tríade de G maior na finalização. Depois finaliza a melodia com a nota sol, si ou ré e toca G maior e compare com G7.

Essa é a gravidade tonal onde temos duas forças que se manifestam entre si, ou seja, a força ativa que sempre busca a sua tônica e a passiva que é a tônica e só em separar estas duas forças, damos uma nova perspectiva para a música. Você improvisa melhor, você compõe melhor, você harmoniza melhor. Você quer continuar vivendo em 1600? Abra a janela, você está no século 21.

As Classes 1 e 2 oferecidas aqui na Universidade Michael Machado, focam nessas duas forças. A Classe 4 trabalha exclusivamente com a terceira força, a força neutra. Este nível funciona como um container englobando tudo (passivo e ativo) e mais alguma coisa, como dizia o Russell.

O Conceito do Lídio Cromático não ensina mais do mesmo, ele muda a sua forma de compreender a música do ponto de vista orgânico, da sua natureza.

27 de junho de 2022

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