Reverb na Orquestra

Ao ouvir uma música orquestral, ouça com ouvido analítico. Você tem que possuir referências de espaço, ou seja, como é trabalhado o reverb. Se você é daqueles que sempre vai assistir um concerto, preste atenção em todos os detalhes do local onde a orquestra irá tocar. Uma sala com péssima acústica irá detonar sua orquestração.

Posicionamento (pan)

O posicionamento real de uma orquestra varia de uma para outra. A posição básica é algo parecido com a imagem abaixo.

01

O pan (panorama) é de fundamental importância em uma orquestra, pois é com ele que você consegue um equilíbrio sonoro. Eu criei uma pequena música utilizando a técnica da mediante cromática (veja aqui) que servirá de exemplo. O nome da música é Dreams.

Aqui está a música nua e crua, sem reverb e sem pan.

Pan 1

Aqui temos o pan baseado na imagem acima. O som começa a ter mais definição, soa menos embolado.

Pan 2

Esse pan é uma mistura total. Eu peguei parte do posicionamento das cordas que o Maestro Christoph von Dohnányi fez na sinfonia nº 1 de Brahms. A única diferença é o baixo que está centralizado.

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Reverb

Esse sim é o grande vilão e o mais difícil na hora de mixar uma orquestra. Saber criar espaços com o reverb é uma arte, mas para isso é preciso saber os parâmetros e as diferenças de um reverb para o outro (existe um monte de artigo sobre esse assunto na internet).

Você pode simplesmente abrir um reverb na master, mas o trabalho de espaço é zero. Ouça Dreams (pan 1) com o reverb simulando o ambiente de uma igreja.

Não fica ruim, mas o ideal é tentar simular o local onde os instrumentistas estão sentados.

É bom lembrar que cada naipe vai se distanciando dos nossos ouvidos e que quanto mais distante, mais reverberação nós temos.

 Pré-Delay

O pré-delay é o ponto mais importante do reverb. De acordo com Sólon do Valle (2009. p.93) “O pré-delay é o tempo decorrido entre o som original e o início da reverberação…” “…é, também, indicativo do tamanho de uma sala, especialmente de seu comprimento”.

Parece complicado, mas não é. Pré-delay significa o atraso do som antes de ser reverberado. A profundidade é papel das reflexões primárias (Early Reflections).

Vou dar o exemplo com três simulações básicas, o instrumento será a caixa.

Caixa sem reverb.

É mais conhecido como close, que é a posição do microfone mais próximo do instrumento.

Caixa com mais profundidade.

É comumente chamado de stage. A posição do microfone fica próximo do palco pegando pouca reverberação.

Caixa com bastante profundidade.

É chamado de far, ou hall. A posição do microfone fica bem no fundo da sala.

Usei o  RoomWorks do cubase com basicamente a mesma configuração, a diferença está no Reverb Time.

Reverb

Existe plug-ing que simula a posição do instrumento. O Virtual Sound Stage é ótimo para isso, mas utiliza muito processador.

GUIScreenshot

O vienna possui o pacote completo. Além de simular o posicionamento, possui as melhores salas de concerto da Europa. 

 Reverberando a Orquestra

O que eu vou mostrar agora pode não ser a forma mais correta, mas funciona pra mim. Antigamente eu jogava apenas um reverb na master e estava lindo, meu processador agradecia. Hoje eu possuo um processador um pouco melhor e já posso dar aquela abusada.

Quando eu uso o reverb na orquestra, eu faço da seguinte maneira:

1. Crio grupos para cada naipe;
2. Crio um grupo chamado ORQUESTRA;
3. Crio três grupos de reverbs chamados frente, meio, trás.

Grupos

Após endereçar cada instrumento para seu grupo, eu faço outro endereçamento jogando todos os grupos (naipes) para o grupo ORQUESTRA. Faço isso para ter controle dos naipes e da orquestra em geral. Depois eu faço a mandada do reverb (em pré-fader) de acordo com a posição de cada naipe.

Reverberes

No grupo ORQUESTRA, eu insiro outro reverb somente para ambiência. Por isso eu tirei o Reverb Time dos três acima.

Para a ambiência eu deixo o pré-delay zerado, pois eu só quero o som reverberado. Um hall ou alguma igreja sempre cai bem.

Existe ainda o chamado Convolution Reverb. Um reverb normal não simula a igreja do lado da sua casa, e sim algo que vá lembrar uma igreja qualquer. Já o processo de convolução, sim. Isso acontece por causa do chamado Impulse Response, que é a sonoridade própria do local.

Para finalizar, aqui está a música Dreams (pan 1) com o reverb simulando uma igreja qualquer.

E Dreams (pan 2) com o REVerence em alguma sala de concerto.

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Até a próxima

15 de janeiro de 2014

2 Respostas em "Reverb na Orquestra"

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